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sábado, 15 de setembro de 2012

Você sabe o que é paz, Mãe?


Para tirar a super poeira que está mais do que impregnada no blog, nada melhor do que (pra variar!!) o relato de uma conversa com o Pedro, ocorrida agora mesmo, porque ele não conseguia dormir... sua cabecinha cheia de ideias não deixava...

Foram tantas perguntas, tanta coisa que ele disse e que eu disse, que é impossível transcrever fielmente...  ele começou dizendo que não conseguia dormir porque tem medo de morrer, de não acordar, porque quem morre, dorme para sempre... disse que tem medo que eu morra e que o pai case de novo com uma mulher muito malvada que vai maltratar ele e a Natália... e quem vai cuidar da gente, mãe?? (culpadas: Branca de Neve e Cinderela!!)

Entre as coisas que eu tentei explicar para ele, disse que todos vamos morrer um dia e que quando a gente morre, as pessoas que a gente ama e que já morreram vem nos buscar. E a gente não vai mais ter saudades dessas pessoas...

- Mas buscar pra levar onde??

- Para o céu!! Por isso precisamos ser pessoas boas. 

- Mas mãe, quando a gente morre não existe mais nada, como é que vamos para o céu??

Falei da alma, que é ela que vai para o céu, tive que explicar o que é alma, qual é o formato, qual é o tamanho do coração de cada um, entre pequeno, médio, grande e gigante: "Se meu pai é gigante, ele tem um coração gigante né, mãe??!!"

Perguntou de Deus, como é a cara de Deus, por que Deus é invisível. 

Falamos sobre as leis de Deus, sobre rezar para não termos mais medo, sobre pedir a Deus que receba as pessoas que já morreram no céu e sobre fazermos o melhor possível, sermos sempre boas pessoas para também um dia chegarmos no céu e ficarmos lá com Deus...

- Mas mãe, eu não quero morrer e ir para o céu, porque lá não tem água, nem comida e eu tenho muita sede e vou ficar com muita sede... 

- Filho, no céu não existe sede, nem fome, nem medo... não existe nada de ruim, só amor... pense no maior amor que você sente na tua vida... pense no amor que você sabe que a mãe sente por você... no céu é só um amor muitas e muitas e muitas vezes maior e o tempo todo!!!

Conversamos sobre pessoas más, que roubam e matam... sobre ser velhinho e ficar doente e morrer... ele falou dos velhinhos do asilo que fomos visitar, "que um dia vão morrer porque são velhinhos!!!" Contei para ele que no dia que fomos lá, pela manhã uma velhinha havia morrido... 

- Você sabe o que é paz, mãe?? Paz é quando a gente chega em um lugar novo e lindo, é quando a gente sente que está tudo bem, né mãe!!

- Exatamente! Quando a gente deita na cama, fecha os olhos e sente o sono chegando... isso também é paz, filho!! Então porque você não aproveita e fecha seus olhos e sente a paz do seu sono chegando??

- Boa ideia, mãe!! Boa noite....

- Boa noite, meu amor, durma na paz de Deus..... a mãe te ama mais do que tudo nesta vida!!!

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Como eu quase perdi meus filhos...




As histórias que vou contar hoje são, sem dúvidas, as mais difíceis que eu já contei aqui, pelas lembranças que me trazem e por pensar que posso ser vista como uma mãe negligente por duas vezes...

A primeira vez que Deus me permitiu continuar tendo meu filho em minha vida foi assim:

Era início de dezembro, um domingo, eu estava grávida da Natália de quase 5 meses e estava calor, mas não um calor daqueles, da gente quase derreter, da gente só pensar em cair numa piscina... não, estava um calor agradável. Na casa da minha mãe tem piscina, mas como eu disse, não estava um calor favorável para usa-lá, ainda mais as crianças. Eu, o Rodrigo, minha mãe e minha madrinha estavamos jogando tranca e meu pai estava atendendo as crianças, (Pedro, Rebeca e Ruth). A Rebeca e a Ruth estavam perturbando porque queriam ir na piscina, mas como o Pedro tinha 2 aninhos e já entendia muito bem o que era entrar na piscina, nós falávamos em códigos, para ele não começar a choradeira porque queria entrar. Aí ficou combinado que ninguém ia entrar na piscina naquele dia. Nós terminamos de jogar baralho e o Pedro estava com a roupa toda suja, então eu tirei a roupinha dele, para logo dar um banho nele. E ele ficou todo faceirinho pelado. Aí, eu estava sentada num sofá na cozinha, ao lado do Rodrigo, minha mãe tinha ido até a lavanderia e meu pai entrou em casa. E o Pedro estava por ali... sabe quando cada um pensa que o outro está olhando? E por um minuto ninguém estava olhando o Pedro. Então, um anjo soprou alguma coisa no ouvido do Rodrigo que o fez levantar do sofá e ir para a porta da cozinha. E ele só chegou ali, olhou pra fora e saiu gritando: "MEU DEUS, MEU DEUS!!!" Eu saí atrás dele, desesperada!! Naquele instante, eu já imaginei o Rodrigo tirando nosso filho sem vida da piscina. Eu só conseguia ter uma imagem na minha cabeça e ela era horrível. Eu não sei como eu consegui chegar até a piscina. Foi uma gritaria, um desespero. Quando aconteceu, eu não conseguia pensar em quanto tempo fazia que ninguém via ele por ali, na hora me pareceu que ele estava "sumido" por muito tempo. Quando eu cheguei ali, o Rodrigo já estava saindo com ele da água. E ele estava bem. Mas eu só queria ter ele nos meus braços, beijar, apertar e ter certeza de que estava tudo bem mesmo, apesar do susto. E foi um susto imenso. Eu fiquei horas e horas chorando, com ele no meu colo, agradecendo a Deus por não ter acontecido o pior. O Rodrigo contou que quando ele chegou na porta, ele viu o Pedro pular na água. Ele não caiu. Ele pulou. Ele sempre pulava, com boias, com a gente junto, e mesmo nós sempre dizendo que quando ele quisesse ir na piscina ele tinha que chamar a mamãe ou o papai e que nunca poderia entrar sozinho. Mas uma criança de 2 anos não lembra dessas coisas e ele simplesmente pulou. Mas graças a Deus, o Anjo da Guarda dele correu chamar o papai quando percebeu a intenção da criança e não aconteceu nada pior. Mas foi bem traumático, pelo menos para mim... porque ele, no dia seguinte já estava pedindo para ir na piscina. Na verdade, ele não chegou a se afogar, nem por um pouquinho, porque como o Rodrigo viu ele pular e na hora correu e pulou junto para pegá-lo, só deu tempo dele mergulhar e ser tirado da água. Ele só se assustou porque viu a gritaria e o desespero de todos nós. Mas até hoje eu agradeço ao Anjo da Guarda do Pedro e ao do Rodrigo por terem conseguido nos livrar desse mal.

O outro ocorrido foi na semana santa, neste ano.

Estávamos no apartamento da minha sogra, no terceiro andar. Na noite de sexta-feira santa, a Natália estava dormindo já fazia algumas horas. E como todas as noites, ela dava uma chorada, umas resmungadas e continuava dormindo. E assim foi, até que em determinado momento, eu resolvi dar uma olhada nela. Ela tinha descido da cama e estava dormindo em pé, só com a cabecinha no colchão. Peguei minha pequena que havia completado 1 aninho uma semana antes e coloquei-a de volta em seu lugar.

No dia seguinte, a mesma coisa... ela dormindo, começou a resmungar e choramingar. Eu não ia nem olhar, mas como na noite anterior ela tinha descido da cama e tal, eu fui até o quarto. Quase perdi o fôlego quando abri a porta... primeira coisa, é olhar na cama... não estava. Nem em volta da cama...

Acontece que a cama da minha sogra é afastada da janela e embaixo da janela, tem um armário grande e relativamente alto, que não tem como as crianças nem olharem pela janela... mas como a Natália não estava acostumada a dormir na cama, eu encostei uma cadeira entre a cama e o armário e coloquei uns travesseiros para ela não se bater. Como em Campo Mourão é muito quente, dormíamos com a janela aberta. Quando a Natália acordou, meio sonolenta, a única luz que ela via era a da rua, pela janela... e ela estava subindo na armário, já estava com as duas mãozinhas em cima da minha mala que estava em cima do armário. Esse armário, deve ter mais ou menos um metro e vinte de altura, então, com a cadeira e os travesseiros, ficou fácil subir... e ela estava indo em direção a claridade... não gosto nem de pensar no que teria acontecido se eu não tivesse ido olha-la. Me deu uma choradeira, um desespero quando eu peguei ela... parece que eu levei a vida toda para contornar a cama e segura-la antes que ela chegasse mais perto do perigo. Nossa páscoa foi dupla... agradecia a Deus constantemente por minha filha estar comigo.

Até hoje, essas duas histórias me assombram. No dia seguinte ao caso com o Pedro, meus pais mandaram colocar tela, em volta da área da piscina. E depois daquela noite com a Natália, todas as vezes que fomos na casa da minha sogra, a janela ficou aberta só em uma fresta bem pequena e toda amarrada, para não ter perigo nem de tentar abrir.

Como eu disse, essas duas histórias ainda me fazem tremer, me fazem sentir muito mal, mas também, me fazem agradecer mais uma vez a Deus, por não ter tirado meus filhos de mim. E eu juro que eu agradeço a Deus a cada abraço que eles me dão, a cada novo dia que amanhece e eu posso ver seus sorrisos lindos, seus cabelos descabelados e ver como eles estão crescendo... e se eu ainda posso pedir algo a Deus, é que por favor, mantenha-os sempre protegidos, e mesmo quando a nossa proteção humana falhar, que Deus nos permita ouvir seus anjos nos dizendo para ir até a porta ou até o quarto ao lado, ou onde quer que seja... só nos faça ouvir e atender... Obrigada infinitamente meu Deus, por tudo.