
Segunda feira, na Fnac Barigui, em Curitiba, tive o privilégio de assistir à palestra do Psicólogo e Professor
Marcos Meier, que além de ser um excelente palestrante ainda é uma pessoa muito querida e acessível. O tema da palestra foi "Como Elogiar e Criticar seu Filho". E eu vou tentar transcrever aqui, o máximo de informações que eu puder sobre o que ele disse, porque foi tudo tão importante e agradável de ouvir que eu juro que queria que todas as mães e pais pudessem ter essa chance também. Pelo bem de seus filhos e de si próprios.
Em abril de 2010, a revista SuperInteressante publicou uma matéria sobre um estudo a respeito do "
Problema do Elogio" e um estudo semelhante foi publicado em janeiro de 2011 pela revista Galileu (a matéria na versão online só está disponível para assinantes da revista.) com o título "
Mimo tem Limite". Basicamente o estudo em ambas as reportagens era o seguinte: Crianças foram incentivadas a realizarem uma tarefa simples e fácil. Ao final da atividade, os pesquisadores elogiaram as crianças individualmente, de duas maneiras distintas. O primeiro grupo foi elogiado quanto à sua inteligência e o segundo quanto ao seu esforço. Em seguida, as crianças foram novamente submetidas à uma nova atividade, de mesmo nível de dificuldade, podendo optar ou não pela realização desta. Os resultados de ambos os estudos são os mesmos. Crianças elogiadas com adjetivos como inteligente, se recusaram a realizar a nova tarefa, já as elogiadas como esforçadas fizeram e se saíram melhor do que na primeira vez. Isso nos mostra que a maneira correta de elogiar nossos filhos é sempre pelas ações e não pela pessoa.
Elogiar de maneira assertiva!
Vou usar o mesmo exemplo que o Marcos Meier usou em sua palestra:
"Nossa, você tirou 9,5 na prova, que bom! Parabéns. Você é muito inteligente!" Pessoas inteligentes, além de não precisarem estudar, ainda carregam uma imagem e ninguém quer ver sua imagem denegrida. Isso acarreta em medo e frustração.
Agora, o elogio de maneira assertiva:
"Nossa, você tirou 9,5 na prova, que bom! Parabéns! Você deve ter se esforçado muito para tirar essa nota, deve ter estudado bastante. Gostei de ver!!" Elogiando a atitude, o comportamento, você incentiva a repetição do comportamento.
Assim como deve-se elogiar a atitude, a crítica também deve ser feita da mesma maneira.
Exemplos do Marcos:
"Olha esse quarto, que bagunça, você é mesmo um porco relaxado!" Ao ouvir isso, a criança ou adolescente não vê interesse em mudar alguma coisa em sua atitude, afinal, tanto faz, ele já é visto como um porco!!!
E a maneira assertiva de chamar atenção:
"Olha como ESSE quarto ESTÁ bagunçado!! ISSO ESTÁ desorganizado. ISSO ESTÁ sujo. Você precisa arrumar tudo ISSO, organizar para ficar melhor e mais agradável para você mesmo." Você está criticando o objeto, não a pessoa. O quarto tem solução, pode ser arrumado. Uma imagem desvirtuada, não. O estar pode ser mudado, o ser não. Por isso, nunca, jamais os pais devem xingar seus filhos, mesmo que de adjetivos leves e nem tão pejorativos.
Outra coisa terminantemente proibida é criticar em público a criança. Sempre em particular. Uma crítica, normalmente é uma alusão a algo errado ou um defeito. E nunca é agradável de se ouvir. Imagine então sendo apontado pelos pais, na frente de outras pessoas?
"Meu filho é um vagabundo, não gosta de estudar!!" Quem se beneficia com isso?
Agora o contrário também é verdade. Elogios podem ser feitos em público!
"Meu filho É MUITO ESFORÇADO!! Ele estuda bastante, tira boas notas, gosta de ajudar as pessoas!" Bem melhor assim não??
Sempre que você quiser que seu filho tenha atitudes que sejam educadas e prestativas, tem que convidá-lo a fazer, mas tem que dizer isso com prazer. Ninguém vai querer tirar um prato da mesa, ou lavar uma louça se você mesmo acha isso um fardo. Se na hora que você pedir para seu filho que tire o prato da mesa, você deve parecer feliz, ele vai entender isso como sendo uma coisa divertida de ser feito e vai criar o hábito. E tem que tomar cuidado também na hora do agradecimento. Um "Obrigada por você ter me ajudado" e outras derivações já basta. Nada de ficar elogiando o quanto ele é bonzinho ou ainda, o que é pior, recompensá-lo por uma atitude que é obrigação.
Na realidade, a compensação também é um assunto complicado. A criança não deve fazer suas obrigações esperando que vá receber algo em troca. Obrigação é obrigação. E mesmo as tarefas extraordinárias devem ser encaradas como favores, e eles devem sentir o quanto é importante ser prestativo e o quanto pode ser gratificante ajudar alguém que precise.
Outro exemplo do Marcos para representar uma gratificação positiva:
"Fim de semana uma tia vai cuidar de 15 crianças e precisa de ajuda e pediu para seu filho de 15 anos dar uma mão para ela, passando o fim de semana como monitor das crianças. Seu filho está com preguiça e ele não tem obrigação nenhuma de ir. Você deve incentivá-lo a ir, porque vai ser bom ajudar e aí, você pode sugerir que ele escolha um presente, algo que ele queira muito." Aí a compensação é bem vinda.
Agora um exemplo meu de uma compensação que eu acho que também foi merecida:
Quando
o Pedro largou a chupeta, eu disse para ele que ele poderia escolher um presente (tudo bem que ele pediu um shampoo e um sabonete... isso é porque ele só tem 3 aninhos e ainda não tem noção dessas coisas.... eu comprei o shampoo, um sabonete e um caminhãozinho para ele.... mas eu achei muita graça nisso!!!). Essa foi a maneira que eu encontrei de presenteá-lo por uma atitude que me deixou muito feliz. E realmente acho que foi merecido.
Um outro ponto importante que foi falado, foi sobre a maneira como os pais se relacionam quando o assunto são os filhos. Primeiramente deve ser dito que a maneira acertiva de elogiar e criticar pode e deve ser usado entre o casal também. Entre o casal deve haver comunicação. A partir do momento que um diz SIM ou NÃO, o outro deve engolir e aceitar a decisão. Mesmo que depois, entre eles o pau corra solto. Mas nunca, em hipótese alguma um deve contrariar a decisão do outro, especialmente na frente dos filhos. Por isso o diálogo é tão importante.
Também, as crianças e adolescentes tem sempre o direito de argumentar a seu favor. Uma criança que cresce aprendendo a conversar, a entender lados diferentes da questão, desenvolve muito mais o intelecto, a capacidade de tomar suas decisões, de argumentar sobre o que acha certo e errado e torna-se uma pessoa muito mais segura. A criança tem o direito de dialogar e colocar suas opiniões e sempre que possam ser aceitas, devem ser aceitas. Quando não, deve se deixar claro que mesmo com os argumentos, a decisão quem toma são os pais. Por isso de não se contrariarem, o casal, senão o filho cresce sabendo que ninguém manda nada, que ele pode tudo e isso gera muitos conflitos e insegurança.
A tese do argumento foi citada por
Pedro Demo de duas maneiras:
- O argumento como autoridade, onde a pessoa aprende a argumentar para se impor.
- A Autoridade como argumento, onde a pessoa usa o argumento da autoridade para se impor.
Uma criança que cresce entre diálogos cresce entendendo melhor de relacionamentos.
Criança quando cresce tem que se colocar. Tem que se colocar perante os pais e perante a sociedade. É lógico que eles devem ter limites e entender que nem sempre a decisão final cabe a eles, ou melhor, na minoria das vezes cabe a eles, pelo menos na infância. Existem algumas fases de crescimento que são construtivas se os pais também se colocarem de maneira correta. Por exemplo, quando a criança desenvolve o complexo de Édipo. Faz parte do crescimento, mas o pai e a mãe devem fazer o menino entender que essa mulher é do pai, e que quando ele crescer ele deve encontrar a dele. Se isso não for bem resolvido na infância, ao crescer o menino irá procurar uma esposa que seja uma cópia da mãe. Outra fase importante é quando o adolescente começa a se soltar dos pais, tende até mesmo afastá-los de si. Também é importante para que eles cresçam e tenham sua própria vida, suas experiências. Os pais devem impor respeito e autoridade, mas também comemorar que o filho está se tornando adulto.
Foram tantas informações e tanto aprendizado, que realmente, só assistindo a palestra. Além do que, o Marcos é uma figura!!! Ele é super divertido!!! E ele conta fatos da própria vivência com seus filhos e de como sua teoria colocada em prática trouxe ótimos resultados na vida de seus filhos.
Gilmári (minha mãe), Eu, Ninon Baduy (minha tia), Marcos Meier (O palestrante), Sarah e João Luiz (minha cunhada e meu irmão) e Tânia (minha cunhada também!! Isso mesmo, vamos aprender a educar os sobrinhos... rsrsrs já que eles ainda não tem filhos...)
Fotos de Ninon Baduy, no evento.